terça-feira, 30 de outubro de 2012

Uma partilha...

Li este texto e amei, tinha que partilhar:


"A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha hercúlea, confesso.



Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.



...Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso. Ser "desnecessária" é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.



A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho. Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida. Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.


O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis. Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.




Ao aprendermos a ser "desnecessários", nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar."

2 comentários:

sandra disse...

Sabes tenho imensa dificuldade em tornar-me desnecessaria nesses termos que te referes sou mesmo uma mãe galinha mas sei que é errado e que eles têm de crescer e aprender que não vamos lá estar para os defender em tudo e sim para os receber,bjinhos

O Sexo e a Idade disse...

Não calculas como este texto me faz sentido!
Sou muito mãe galinha e sempre o fui; sabendo que o sou obrigo-me a dar-lhe espaço, a estar mesmo ali à mão para o segurar se ele "tropeçar" mas não o levar pela mão; a mostrar-lhe que estou disponivel, mas a não o atropelar no seu tempo e no seu espaço; obrigo-o a cozinhar, para ele aprender e eu passar a ser desnecessária; a andar de transportes para ele aprender e eu passar a ser desnecessária; tudo...
E todos os dias quando ele vai de transportes e eu fico sem função, quando ele almoça com os amigos e eu fico sem a minha companhia, sei que estou a fazer o que é certo!
Obrigada pelo texto!

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